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Desafios e dramas do futuro

Desde que Malthus aterrorizou a Europa e o mundo com suas projeções populacionais apocalípticas, várias universidades, centros de estudos do futuro e da globalização e também organismos internacionais têm chamado a atenção da opinião pública para alguns desafios e dramas que devem ser encarados com seriedade no presente a fim de evitar que o pior possa acontecer no futuro.

Na verdade a equação meio ambiente X população está na base de todos os problemas que enfrentamos no presente, mais graves em alguns países e menos graves em outros e que poderão ser catastróficos no futuro. Organismos especializados da ONU e de várias universidades apontam para o esgotamento do atual modelo de desenvolvimento econômico e social predatório ante o esgotamento dos recursos naturais, alguns que demandaram bilhões de anos para a sua formação e que estão sendo consumidos numa voracidade jamais vista.

Esta voracidade consumista relaciona-se de um lado com o aumento da população mundial, principalmente na Ásia, África e América Latina e em menor grau na Europa e de outro lado a repetição do modelo de consumo adotado por décadas ou séculos no velho mundo e nos Estados Unidos.

No início do século 20 (em 1900) a população mundial era de 1,650 bilhão de habitantes passou para 2,5 bilhões em 1950; para 6,1 bilhões em 2000, em 2010 é de 6, 848 bilhões e dentro de 40 anos, em 2050, deverá ser estar entre 9,3 e 9,5 bilhões de pessoas. Estima-se que em 2050 nada menos do que 32% da população mundial será constituída de idosos (pessoas com 60 anos e mais) e que a longevidade deverá ser aumentada em média mais 5 ou 10 anos, ou seja, todos os países deverão ter um contingente maior de idosos e também os idosos viverão mais. O número de centenários deverá aumentar consideravelmente no mundo todo.

Do lado oposto, o percentual da população economicamente ativa, as crianças e adolescentes com menos de 15 anos também deverão reduzir sua participação no conjunto populacional, acarretando mais um desafio em termos de produção e produtividade. Haverá mais gente aposentada, inativa ou sem condições de trabalhar decorrente da idade e das doenças do que pessoas em idade produtiva para sustentá-las.

A Ásia, por exemplo, terá em 2050 em torno de 5,2 bilhões de pessoas, praticamente igual a população mundial em 1990 e, o pior, 23% de idosos (1,2 bilhões de pessoas). A Europa, que já sente o declínio demográfico há várias décadas, continuará enfrentando o mesmo drama do envelhecimento e também das pressões imigratórias. Estima-se que nas próximas décadas os países europeus recebam por ano em torno de 850 mil imigrantes, principalmente da África, Oriente Médio e Ásia. De forma semelhante também os Estados Unidos continuarão sendo destino de enormes correntes migratórios. Estima-se que, legal ou ilegalmente, em torno de 1,5 milhão de imigrantes entrem no país.

Outro aspecto desta questão são os padrões de consumo. Durante décadas a população da Europa, dos Estados Unidos, Canadá e Japão ostenta um padrão de consumo elevado. Com menos de 27% da população mundial esses países representam mais de 65% de tudo o que é produzido e consumido no mundo, enquanto as demais regiões - incluindo Ásia, África e América Latina, que concentram 63% da população mundial - consomem apenas 35% de tudo o que é produzido.

Diante da globalização mundial essas regiões que ainda hoje ostentam enormes contingentes de pobreza tendem a aumentar os níveis de consumo, principalmente a Ásia e em particular a China e Índia, que juntas têm mais de 50% da população mundial, irão consumir muito mais e pressionarão ainda mais o meio ambiente.

Enfim, essas e outras questões devem fazer parte da agenda global e nacional nas próximas décadas antes que o futuro seja catastrófico do ponto de vista ambiental e demográfico. Produção de energia, alimentos e matérias-primas serão os tópicos de maior relevância neste contexto de sustentabilidade ambiental.

Ou mudamos este modelo de desenvolvimento predatório que degrada o meio ambiente ou estaremos todos perdidos muito antes do que os gananciosos não conseguem ver. Quem viver verá, mas aí já será tarde demais!




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